Violência doméstica é fator de risco para o câncer de mama, revela Inca

 Violência doméstica é fator de risco para o câncer de mama, revela Inca

CHAME orienta que identificar sinais de relacionamentos abusivos e romper o ciclo de violência também é uma forma de cuidar da saúde, principalmente da mental (Foto: ALE-RR/divulgação)

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O Inca (Instituto Nacional do Câncer) estima que até o fim deste ano em Roraima, mais 60 mulheres descubram o câncer de mama e outras 50 o câncer de colo do útero. Estudos sobre a relação entre a agressão conjugal e o câncer de mama concluíram que viver um ciclo de violência doméstica pode ser um fator de risco para o desenvolvimento destas doenças, que estão entre as causas mais frequentes de morte de mulheres.

O câncer não tem uma causa única e pode estar relacionado a diversas causas externas e internas. No entanto, em 2016, uma pesquisa constatou aquilo que assistentes sociais, psicólogas e médicas já haviam percebido na prática. O estudo “Influência do diagnóstico de câncer de mama na violência conjugal contra a mulher”, realizado pela oncologista Cristiana Tavares durante o curso de mestrado em Perícias Forenses da Universidade de Pernambuco (UPE), mostrou que 42% das 200 mulheres com câncer de mama entrevistadas relataram que sofriam violência conjugal antes do diagnóstico do tumor.

A coordenadora do CHAME (Centro Humanitário de Apoio à Mulher), da Assembleia Legislativa de Roraima, Elizabete Brito, ressalta que doenças psicossomáticas estão interligadas às condições da mulher. “Ela fica vulnerável, com a autoestima baixa, emocionalmente ela não quer mais trabalhar, fica triste, entra em depressão e isso, automaticamente, faz com que a mulher deixe de ir ao médico e de fazer seus exames periódicos”, acrescentou Elizabete, ao reforçar que a violência doméstica interfere ainda na imunidade.

Devido à pandemia causada pelo novo coronavírus, os atendimentos presenciais do CHAME foram suspensos, conforme os protocolos de Saúde, contudo, as mulheres não ficaram desamparadas. A instituição recebeu mais de 500 pedidos de ajuda, de março a setembro, pelo Zap Chame (98402-0502). Por telefone estas mulheres são incentivadas a formalizar uma denúncia na polícia, e recebem as principais orientações sobre o assunto.

Sinais

Ainda segundo Elizabete Brito, no relacionamento é possível identificar sinais de abuso, tais como se o companheiro persegue a vítima, a proíbe de fazer o que gosta, de usar determinadas roupas ou cortar o cabelo, quebra objetos pessoais da mulher ou, até mesmo, força uma relação sexual. “Mesmo casada, se não estiver a fim de fazer isso, a partir do momento que ele força essa mulher a ter esse relacionamento, isso é uma violência sexual”.

Apoio

Na Unacon (Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia), do Hospital Geral de Roraima, a psicóloga Naira de Oliveira encontrou diversas histórias de mulheres que sofreram violência psicológica sem saber. “É a violência mais difícil de se lidar porque até a própria mulher tem dificuldade em perceber que está sendo violentada”.

E por conviver, guardar a tristeza, este tipo de violência contribui para desencadear doenças. “Não estou dizendo que esse fator emocional seja a causa única para o câncer, mas que é o fator que contribui, há estudos que falam sobre isso, o quanto o fator emocional contribui sim para essa questão orgânica, física”, acrescentou a psicóloga Naira de Oliveira.

Para ajudar quem precisa enfrentar estas adversidades durante o tratamento da doença, a Unacon tem o grupo chamado Girassol. O CHAME já realizou palestras para estas mulheres com foco na prevenção da violência. “Sobre a quem buscar, ir atrás de direitos, estratégias de enfrentamento e fortalecimento da autoestima”, frisou Naira.

Com informações da ALE-RR

Bruna Cássia

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