Haitianos que vivem em RR celebram 217 anos da independência do país com festa em praça

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Os mais de três mil haitianos que vivem em Roraima, fugidos das consequências sociais e econômicas provocadas pelo grande terremoto de 2010 – quando mais de 300 mil pessoas morreram – se preparam para comemorar os 217 da independência no seu País, no dia 1o de Janeiro.

No Haiti, é tradição comemorar, na virada do ano, a luta pela independência e não o ano novo que chega. Por isso os haitianos que vivem aqui em Roraima vão manter o costume.

A festa comemorativa à Independência do Haiti será na Praça do Mirandinha, a partir das 17h30 do primeiro dia de 2021. Haverá música típica do Haiti e apresentações culturais e de dança, assim como comidas típicas.

“No final da guerra que resultou na independência do Haiti, as mulheres prepararam comida para os soldados haitianos. Por isso, é costume preparar e distribuir comida na festa comemorativa à independência”, contou Daphany Julho, vice-presidente da comissão organizadora do evento.

Uma comissão de refugiados haitianos, com a colaboração de brasileiros como Daphany Julho, passaram os últimos dias envolvidos nos preparativos da festa, que marcará os 217 da Independência do Haiti.

O evento será realizado com a permissão da Prefeitura de Boa Vista que deu a licença para o evento, sob a condição de que sejam cumpridos todos os protocolos sanitários de segurança contra o Novo Coronavírus.

O refugiado haitiano Frank Clairisier, foi escolhido por aclamação o presidente da comissão organizadora dos festejo. Ele é um dos sobreviventes do terremoto que devastou seu país e encontrou aqui em Roraima um lugar acolhedor para recomeçar a vida. “Roraima é o melhor lugar do mundo para viver”, afirma. Ele diz que o dia 1o de janeiro é uma data muito importante para o povo haitiano, pois marca a conquista da sua luta pela liberdade.

“Essa comemoração aqui em Roraima tem o objetivo de mostrar para os brasileiros um pouco da história do Haiti uma vez que agora, no dia 1o de Janeiro, meu país comemora os 217 anos da sua independência. Nós sabemos que o povo de Boa Vista não conhece bem a história do meu país, então, será uma oportunidade de nós mostrarmos a beleza da nossa cultura”, diz.

Daphany disse que a ideia é reunir cerca de mil refugiados para comemorar a data histórica. Segundo ela, mais de três mil haitianos vivem em Roraima, sendo que desde 2010 mais de 16 mil refugiados daquele entraram no Brasil pelo nosso estado. “A comunidade haitiana em Roraima é pequena, mas está todo mundo se apoiando para a festa acontecer”, destaca.

“Nós procuramos a prefeitura de Boa Vista e consultamos se era possível ceder uma praça para que nós pudéssemos comemorar o Dia da Independência do Haiti. A prefeitura foi muito colaborativa conosco e liberou a Praça do Mirandinha, som e palco para que nós possamos fazer a nossa festa”, conta. Os organizadores conseguiram também a parceria da Gráfica Forbras para imprimir o material de divulgação da festa.

Frank Clairisier conta que mantém contato permanente com seus parentes no Haiti e lamenta o fato de que o seu país, além de não ter se recuperado da devastação provocada pelo grande terremoto, ainda esteja sofrendo com o mau governo.

A mãe e outros familiares de Frank continuam vivendo no Haiti, mesmo com o país passando por profundas dificuldades. “A situação está um pouco complicada, principalmente no que diz respeito à política no Haiti. A população está sofrendo muito com as questões de governo. Os haitianos estão sofrendo com a falta de trabalho. Praticamente todo dia tem manifestação. Desde 2010, após o grande terremoto, meu país ainda não se recuperou. Atualmente é muito difícil de viver no Haiti”, concluiu.

Por Luiz Valério

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