UFRR atua no fortalecimento da educação superior indígena

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Em função do Dia do Índio, celebrado em 19 de abril, este mês é conhecido como Abril Indígena. Uma data que ultrapassa a perspectiva de comemoração e representa um marco de resistência e lutas; e busca pelo reconhecimento dos direitos dos povos originários do Brasil.

Há 20 anos a Universidade Federal de Roraima (UFRR) implementou uma política de educação superior indígena. Desde então, a instituição vem ampliando o acesso das comunidades indígenas aos seus cursos de graduação e pós-graduação.

“Por meio do Instituto Insikiran, a UFRR oportuniza aos estudantes indígenas o acesso à educação superior de qualidade, respeitando a diversidade cultural e o conhecimento tradicional. Temos estimulado a formação dos alunos indígenas, por meio de ações afirmativas e trabalhos de pesquisa e extensão direcionados à própria comunidade de origem do aluno. Desta forma,  tentamos mitigar a dívida histórica que temos com esses povos”, frisa o reitor, professor José Geraldo Ticianeli.

Criação do Insikiran

O Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena foi criado em 2001 como núcleo de ensino e posteriormente transformado em unidade administrativa e acadêmica vinculada à UFRR. O setor atende à demanda dos povos indígenas de Roraima, representados por suas organizações, com o objetivo de viabilizar a formação profissional, de modo específico, diferenciado e intercultural.

Conforme a diretora pro tempore da unidade, professora Ise de Goreth Silva, “o Insikiran é uma proposta pioneira em todo o Brasil, criado a partir da demanda dos povos indígenas. “Foi uma demanda dos movimentos indígenas em um seminário que ocorreu na comunidade indígena Canauanim, em meados de 2000. E só foi possível por causa da sensibilidade da gestão da UFRR à época e por causa da saudosa professora Maria Auxiliadora, que encabeçou a comissão para discutir uma proposta de oferecer educação superior indígena”, lembra.

Impactos trazidos pelo trabalho desenvolvido no Insikiran

Atualmente, o Instituto possui três cursos de nível superior. Licenciatura Intercultural foi o primeiro, implantado com a criação do núcleo e com início das aulas em 2003. Até 2020 haviam sido formados 388 alunos. Atualmente, 382 estudantes indígenas estão nesta graduação.

“Ao longo desses 18 anos da Licenciatura, o Instituto Insikiran teve um impacto positivo nas comunidades. Todos os alunos formados atuam nas escolas indígenas como professores indígenas. Muitos deles já eram professores, mas não possuíam uma formação superior. Estão nas suas comunidades, nas diferentes regiões indígenas do Estado. Além disso, muitos atuam em diversos órgãos, como a Secretaria Estadual de Educação e também coordenam projetos em suas comunidades. Um número significativo desses alunos já fez mestrado, alguns estão concluindo doutorado e atuam na educação superior aqui na UFRR e no Instituto Federal de Roraima”, conta a diretora.

Mais cursos

Em meados do ano 2000, a maior demanda maior dos povos indígenas era a educação indígena superior, com foco na formação de professores. Por isso, o primeiro curso do Insikiran foi de licenciatura. “A partir da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e de outras demandas do movimento indígena, surgiu no Insikiran a necessidade de outros cursos”, relata a professora Ise de Goreth Silva, diretora do Instituto.

Em 2009 a UFRR passou a ofertar o bacharelado em Gestão Territorial Indígena. Até 2020, 47 alunos haviam concluído o curso. Atualmente, 119 alunos estão matriculados. Em 2012 foi implantando o curso de bacharelado de Gestão em Saúde Coletiva Indígena. Este curso formou 46 bacharéis até 2020 e conta atualmente com 145 alunos matriculados.

“O curso de Gestão Territorial foi criado com o objetivo de formar indígenas para fazer a gestão dos seus territórios em todos os sentidos. Depois veio a demanda para a área da saúde indígena, que até então era ocupada principalmente por não indígenas. Então, o curso de Gestão em Saúde Coletiva coloca o indígena como protagonista na gestão da saúde de suas comunidades”, explica Ise de Goreth.

A UFRR conta atualmente com 585 alunos no Insikiran e mais 469 que ingressaram pelo Processo Seletivo Específico Indígena (PSEI), totalizando 1.054 alunos indígenas matriculados nos cursos de graduação, conforme o Departamento de Registro e Controle Acadêmico (Derca).

Vestibular Indígena

Além dos cursos do Instituto Insikiran, a UFRR oferece vagas específicas para ingresso de indígenas em diversos cursos da instituição. O acesso é por meio do Processo Seletivo Específico Indígena (PSEI) ou Vestibular Indígena, como é conhecido. As inscrições para este certame estão abertas, com oferta de 210 vagas em 20 cursos de nível superior.

As inscrições seguem até as 18h de 7 de maio de 2021, por meio do endereço eletrônico https://cpv.ufrr.br/seletivo/. Para efetuar a inscrição, o candidato deverá preencher completa e corretamente a Ficha de Inscrição on-line e o Questionário Socioeconômico e Cultural, com todos os dados solicitados, confirmar inscrição, imprimir o comprovante e o boleto para pagamento da taxa de inscrição, pagando-o até a data do encerramento das inscrições. Consulte o edital aqui.

Retorno às comunidades

A jornalista Ariene Sussui foi aluna do curso de Comunicação Social da UFRR e ingressou na instituição em 2015, por meio do PSEI, concluindo o curso em 2020. Atualmente, ela é assessora técnica em comunicação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

Integrante da comunidade Truaru, povo Wapichana, Ariene ressalta a importância de a UFRR realizar o Vestibular Indígena: “Ingressei pelo PSEI e a relevância disso é de extrema importância. Foi uma demanda de nossas lideranças e entrar por estes processos é fazer valer suas lutas”, destaca.

A jornalista ressalta a contribuição da educação superior e como ela trouxe mudanças para a sua vida e de sua comunidade. “Mudou em muitos aspectos, o ingresso na universidade faz parte de uma luta contínua e isso muda em todos os parâmetros, pois conhecer as técnicas e os conhecimentos dos não indígenas é necessário para defender nossos povos. Mas, além disso, a convivência nos permite vivenciar novas experiências e compartilhar saberes”, finaliza.

Fonte: UFRR

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