‘Dia de beleza’ resgata autoestima de detentas da Cadeia Pública

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As internas da Cadeia Pública Feminina de Boa Vista estão tendo um fim de semana diferente. Neste sábado, 23, das 8h às 17h, e no domingo, 24, das 14h às 17h, elas terão acesso a diversos serviços de beleza, além de aferição da pressão arterial.

Esses dois dias de cuidados especiais estão sendo oferecidos pela Sejuc em parceria com a Igreja Universal, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária em razão da pandemia de covid-19.

“Estão sendo ofertados nesta ação serviços de beleza, dentre os quais, limpeza de pele, manicure e pedicure, corte de cabelo, hidratação, além de aferição de pressão. Tudo dentro dos protocolos contra a covid-19. Então está sendo um momento bem valioso para a Cadeia Feminina”, ressaltou a diretora do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe), Michelly Fernandes.

O pastor José Uilquer Rocha disse que a Igreja é uma parceira nessa atividade há quatro anos.

“Ao longo de quatro anos, estamos fazendo esse trabalho em parceria com a Sejuc (Secretaria de Justiça e Cidadania), com a finalidade de ressocialização. Trabalhamos com as duas mãos, porque é um trabalho espiritual, da fé, de conscientização. Estamos aqui ajudando a trazer mais leveza e alegria, um pouco de esperança e amor para essas mulheres que tanto precisam”, disse o pastor.

A reeducanda Thalia Horana, com as unhas já pintadas,  estava se preparando para uma limpeza de pele. Satisfeita com o dia que está vivendo dentro da unidade, ela expressou gratidão.

“Estou achando maravilhoso. Tudo o que está acontecendo é muito especial. Muitas coisas mudaram por aqui. Essa ação nos deixa ainda mais animadas. Estamos aprendendo muitas coisas e, quando eu sair daqui, quero trabalhar, viver uma vida melhor e abrir meu salão, porque eu já trabalhava em salão e não quero desistir. Vou levantar a cabeça e prosseguir”, afirmou.

COSTURANDO RECOMEÇOS

Além de ações sociais, o Desip desenvolve na Cadeia Pública Feminina, desde o dia 5 de setembro, o projeto Costurando Recomeços, que trabalha com a produção de bonecas de pano, com a finalidade de promover a reinserção social das reeducandas.

A diretora da Cadeia Feminina, Josilene Mourão, explicou que o projeto tem o objetivo de ensinar um ofício para que as internas, quando saírem, saibam desenvolver alguma atividade.

“Vamos organizar um evento na Secretaria de Justiça e Cidadania para fazer a venda dessas bonecas.  O dinheiro será para reinvestir no projeto, comprar tecidos, enchimentos e adquirir coisas que estejam precisando dentro da unidade. Estamos tentando recomeçar a vida dessas mulheres.  Futuramente, elas podem levar esse aprendizado de confecção de bonecas para fora da unidade. Isso ajudará na inserção delas no mercado de trabalho”, disse a diretora.

O primeiro módulo do projeto vai até dezembro. A ideia é que essa produção inicial seja comercializada na comunidade e todo o recurso vai ser aplicado na ampliação do projeto.

“Elas fazem a elaboração do trabalho que são bonecas e bonecos e vão ganhar remição da pena. Quando saírem, terão um curso profissionalizante para se inserir na sociedade novamente. Vamos vender essa primeira produção para continuar sustentando o projeto e queremos apresentar para toda a comunidade para que venha nos apoiar”, disse uma das instrutoras do Costurando Recomeços, Rebeca Ribeiro.

A reeducanda Nina Moreira acredita que o projeto vai ser bom para sua vida quando estiver em liberdade. “O Costurando Recomeços é um futuro promissor para todas nós. Nesse momento, eu gostaria de pedir a ajuda da comunidade para que adquira os produtos. Assim, a gente pode dar continuidade ao projeto que está sendo eficaz para todas nós, não somente com a nossa ressocialização, mas também nos dando a oportunidade de remir nossas penas e também nos tirando da ociosidade”, falou.

Nina ressaltou que a perspectiva é ter um futuro melhor e ser inserida na sociedade com oportunidade de emprego. “Esse é o nosso objetivo alcançar essa meta de sair daqui e conseguir vencer com inclusão no mercado de trabalho”.

Escrito por Vânia Coelho