O Governo de Roraima segue investindo na
educação escolar indígena com a terceira etapa do Magistério Indígena
Yarapiari, exclusivo para professores Yanomami. O curso ocorreu entre os dias
10 e 21 de março com a participação de 40 cursistas do povo Ninam, que viajou
grandes distâncias de comunidades localizadas em Alto Alegre para garantir seus
estudos.
A formação foi realizada no Ceforr
(Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima), que
também sediou a primeira etapa do curso em 2023. Em 2024, devido às reformas no
prédio da instituição, a segunda etapa ocorreu em Alto Alegre.
A capacitação é dividida em oito etapas
do curso, que tem a carga horária total de 2.300 horas. A próxima etapa está
prevista para o segundo semestre deste ano.
A diretora do Ceforr, professora doutora
Stela Damas, destacou a importância do Magistério Indígena Yarapiari na
qualificação dos professores Yanomami e no fortalecimento da educação escolar
indígena no estado.
"Nosso compromisso é oferecer
formação de qualidade aos professores Yanomami, respeitando suas
especificidades culturais e linguísticas. Esta terceira etapa representa mais
um passo fundamental para garantir que a educação escolar indígena seja cada
vez mais fortalecida e alinhada às necessidades das comunidades", afirmou
a diretora.
O Governo de Roraima tem a preocupação
de trabalhar com esse grupo de povos originários, uma vez que eles têm
residência no território Yanomami/Yekuana, de difícil acesso e pouca ou nenhuma
qualificação. Com o magistério Yarapiari, o Estado garante qualificação e
melhor qualidade no ensino da educação escolar indígena.
Sobre o Yarapiari
O Magistério Indígena Yarapiari tem como
objetivo capacitar professores Yanomami para atuar dentro de suas comunidades,
promovendo uma educação que respeita e valoriza os saberes tradicionais. O
curso contou com uma estrutura completa de apoio aos cursistas, com oferta de
alimentação e alojamento fornecidos pela Seed (Secretaria de Educação e
Desporto). A próxima etapa ocorrerá no segundo semestre deste ano.
Durante a formação, os cursistas
aprendem metodologias de ensino bilíngue, gestão escolar, legislação da
educação indígena, história e cultura Yanomami, e práticas pedagógicas
contextualizadas. O curso também aborda temáticas como meio ambiente, sustentação
da vida comunitária e fortalecimento da identidade indígena.
O gerente de formação em educação escolar
indígena do Ceforr, Aldinésio Sarmento Silveira também reforçou o impacto do
curso na valorização dos saberes tradicionais e na melhoria do ensino nas
comunidades Yanomami.
"O curso é de suma importância para
o aprendizado dos participantes, que precisam dominar a língua portuguesa e
outros componentes curriculares oferecidos pelo Ceforr. Continuaremos a
oferecer o curso até concluir todas as etapas restantes", ressaltou o
gerente.
Educação Indígena
A Seed tem atuado de forma constante
para ampliar as políticas voltadas à educação escolar indígena, promovendo
iniciativas que respeitam a diversidade e a cultura dos povos originários. O
Magistério Indígena Yarapiari é um dos exemplos desse compromisso, garantindo a
formação de professores que farão a diferença nas futuras gerações Yanomami.
Outros avanços de destaque: a produção
de materiais pedagógicos bilíngues confeccionados para aprimorar a arte de
lecionar sem perder a interculturalidade e, o desenvolvimento de um projeto
pedagógico específico para a formação de professores Yekuana. Esse projeto já
está em tramitação no Conselho Estadual de Educação, aguardando aprovação.
“Em breve, o povo Yekuana também terá
seu próprio curso de magistério. Essas ações representam um importante passo
para melhorar a qualidade da educação para as crianças do território
Yanomami/Yekuana, promovendo uma abordagem mais estrutural e eficaz, concluiu
Stela Damas.
Outro grande avanço da educação indígena
foi a realização do concurso específico e diferenciado para professor indígena
em março de 2022 que disponibilizou mil vagas imediatas e onde já foram
realizadas cinco convocações e empossados 755 docentes no quadro efetivo.
De acordo com o Censo Escolar, em Roraima existem 251 escolas estaduais indígenas e 18.820 estudantes matriculados. Dentro desse quantitativo, são 24 escolas em território Yanomami que atendem juntas 1.560 estudantes.
Fonte: Secom